Uesc, através do Nepab, terá mais de 170 mil peças sob sua guarda

UESC
Marcolino Ícone

Fundado em 2006, o Núcleo de Ensino e Pesquisas Arqueológicas da Bahia (Nepab) é entidade de caráter científico, vinculada a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp), situada no espaço do  Departamento de Filosofia e Ciência Humana da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para desenvolver atividades de pesquisa arqueológica e a guarda de acervos.

O Nepab surgiu da necessidade de se ter um espaço que permitisse, inicialmente, o diálogo e aproximação entre o saber arqueológico e outras áreas do conhecimento para atender uma demanda na região e em toda Bahia. As pesquisas desenvolvidas propiciaram um importante acervo, beneficiando significativamente a comunidade acadêmica em nível de graduação e pós-graduação.

No próximo ano, quando vai comemorar 16 anos, o Núcleo estará de casa nova e terá sob a sua guarda mais de 170 mil peças arqueológicas. 602.315 virão da Acervo - Centro de Referência em Patrimônio e Pesquisa de Porto Seguro e outras 273.028 virão do Iphan por conta das escavações do Pelourinho. Na Uesc já existem cerca de 90 mil peças que estão sob a guarda do Nepab.

O prédio que está sendo construído para abrigar o Núcleo é o resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estabelecido pelo Iphan, por conta de impactos ocasionados a sítios arqueológicos quando da implantação de parques eólicos na região de Pindaí (BA), pela empresa GPEXPAN, que vinha sendo discutido desde 2015. A GPEXPAN acabou sendo adquirida pela CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), uma das subsidiárias da Eletrobras, que assumiu o TAC firmado.

São dois pavimentos situados em frente ao Pavilhão Pedro Calmon, no campus Professor Soane Nazaré de Andrade, da Uesc, em Ilhéus; projetados para atender em espaços amplos, arejados e bem iluminados, em condições de excelência, com isolação térmica e acústica, tanto dos ruídos urbanos como daqueles gerados no próprio estabelecimento. A proposta arquitetônica explora a simplicidade e um bom padrão de qualidade reunidos em uma edificação para se obter uma economia nos recursos aplicados. O acesso ao prédio será por uma rampa e, internamente, se dará por corredores largos, sem dificuldades ou obstáculos. O acesso ao prédio será por uma rampa e, internamente, se dá por corredores largos, sem dificuldades ou obstáculos.

O Nepab se configura como um Grupo de Pesquisa no Diretório do CNPq e como um Laboratório Multiuso. Duas linhas de pesquisa: “Mapeamento arqueológico das bacias dos rios Cachoeira e Almada: um estudo de Arqueologia Regional (Fase 3)”, coordenado pelo Prof. Dr. Walter Fagundes Morales; e “Morfologia do espaço urbano e rural da vila de Ilhéus (séculos XVI-XIX)”, sob a coordenação do Prof. Dr. Marcelo Henrique Dias; servem de guarda-chuva para quase duas dezenas de pesquisas de estagiários dos cursos de pós-graduação na área.

O professor Walter Morales, atual coordenador do Núcleo, lembra: “Isso é possível porque o Nepab reúne pesquisadores, estudantes e técnicos de várias áreas do conhecimento, interessados em refletir sobre as formas de ocupação humana na Bahia e suas interrelações com áreas culturais vizinhas e o ambiente; bem como, entender as atividades socioculturais e processos tecnológicos associados à confecção de indústrias líticas e/ou cerâmicas desde tempos pré-coloniais. Também celebra convênios com instituições internacionais como Universidad de La República Uruguay (Udelar)”.

Esse grupo estuda os contatos culturais havidos entre os segmentos europeus, africanos e indígenas no transcorrer do processo de formação da sociedade nacional de uma maneira geral e nas regiões identificadas como Costa do Descobrimento, do Cacau e do Dendê em particular; também pensa modelos explicativos sobre o uso do espaço intra e intersítio por meio da etnoarqueologia; e, por fim, divulga o conhecimento acadêmico para a comunidade na forma de uma Educação Patrimonial que permita à sociedade conhecer e valorizar o seu passado, tornando-se agentes na preservação do Patrimônio Cultural de forma compartilhada e responsável.

“Mais importante é que as novas instalações do Nepab vão permitir aos pesquisadores e estudantes da Uesc realizarem exposições de artefatos arqueológicos históricos e pré-históricos, bem como oficinas sobre variados temas associados à Arqueologia para estudantes de escolas da rede pública e privada e população interessada”, finaliza o professor Walter Morales.